domingo, 29 de junho de 2008

Imposto para a saúde de novo?


O projeto de lei complemetar Constitucional da Contribuição Social para Saúde (CSS) foi aprovado na Câmara dos Deputados no dia 18 de junho, mas o assunto logo esfriou. É que o Congresso já entra em recesso no próximo dia 18 e, pelo o que tudo indica, a votação no Senado só deve acontecer depois das eleições municipais. Não é por isso que a nova CPMF não deve ser discutida. E é por isso que o Manchete a Fundo traz o assunto essa semana.

A ausência de pressa para aprovar a emenda tem um motivo: a base governista espera reunir mais votos no Senado, onde não possui maioria para garantir a aprovação. Mesmo na Câmara, que costuma ser mais alinhada com o governo, apenas dois votos determinaram a criação da nova alíquota. Além disso, passadas as eleições, fica mais fácil aprovar uma medida tão impopular.

Impopular mesmo! O Manchete a Fundo esteve nas ruas e constatou que são poucos os que acreditam que criar um novo tributo possa resolver os problemas da saúde no Brasil. Será que essa é a solução? Confira na reportagem especial de Priscilla Mendes e Juliana Braga.

segunda-feira, 9 de junho de 2008

Justiça lenta?

É comum ouvir brasileiros reclamando da lentidão da Justiça brasileira. Mas o caso Isabela teve seus processos julgados rapidamente. O pedido de habeas corpus, por exemplo, foi protocolado, distribuído e analisado no mesmo dia, enquanto outros presos chegam a esperar meses para ter um parecer.

O advogado criminalista Leopoldo Louveira, em artigo publicado no portal Consultor Jurídico, defende que a Justiça brasileira não é lenta, desde que os holofotes da mídia estejam sobre o caso. Vale a pena conferir.

quinta-feira, 5 de junho de 2008

O clamor público vai julgar o casal Nardoni?

A prisão preventiva do casal Nardoni tem embasamento legal ou apenas representa uma resposta ao clamor público que o caso despertou? Nossa reportagem mostra algumas das várias facetas pelas quais o crime e a prisão do pai e da madrasta de Isabella Nardoni podem ser vistos.


O juíz federal aposentado e advogado penal Pedro Paulo Castelo Branco acredita que a prisão preventiva preserva a integridade física do casal contra eventuais reações da sociedade que, de ante-mão, já os considera culpados. Por outro lado, o advogado especialista em Direito Criminal Danilo Andreato afirma que o Estado tem outras formas de garantir a integridade física de indivíduos e que a clausura de Alexandre e Ana Carollina é um equívoco.

Confira a reportagem especial de Juliana Braga e Priscilla Mendes para o Manchete a Fundo.




Entrevista: Jornalista Carlos Castilho*

O senhor acredita que a decretação da prisão preventiva do casal foi influenciada pela mídia?

É dificil fazer uma afirmação taxativa porque a decisão foi tomada por um juiz e eu não sei o que se passou na cabeça dele ao tomar a decisão. Mas uma coisa é possivel garantir. O magistrado dificilmente ficou imune ao bombardeio informativo promovido pela imprensa em torno do assassinato de menina Isabella. Toda a sociedade acabou contaminada pelo carnaval midiático. Nestas condições pode-se dizer que todos os consumidores de informações sofreram e sofrem a influência da mídia, tanto no caso Isabella como em qualquer outro assunto incluido na agenda pública de debates. A questão não é se a decisão foi influenciada, mas sim como foi influenciada pela midia.


A que o senhor atribui o grande clamor público que o caso despertou?

Acredito que o crescente voyeurismo nos habitos dos telespectadores e o fato do crime envolver uma familia de classe média afluente e violência doméstica aguçaram a curiosidade do público. Além do mais a opinião publica já estava cansada da sucessão de escandalos politicos que acabam inevitavelmente em pizza, reforçando a crença popular na impunidade dos governantes e politicos. Diante disto as emissoras de TV encontraram um terreno fertil para montar o espetaculo, transformando um crime numa especie de caso especial, serializado. Quando a TV Record começou a roubar audiência da Globo, estabeleceu-se a guerra por pontos no IBOPE e o caso fugiu do controle dos jornalistas para ficar na órbita dos marqueteiros e estrategistas de audiências.


Qual é a sua análise da cobertura que a mídia tem feito do assassinato?

Antes de tudo uma diferença. O conceito de mídia inclui a imprensa, mas também a publicidade e o marketing. No caso Isabella é necessario distinguir cada parte.
O principal erro dos jornalistas foi ter abaixado a cabeça para os departamentos comerciais das emissoras de TV, criando um viés sensacionalista destinado a capturar audiências mas que acabou influenciando também as redações de jornais, revistas, noticiarios radiofonicos e até a internet. Perdeu-se a preocupação com o interesse publico, que no caso Isabella poderia levar à discussão da questão da violência doméstica e como reduzi-la. Isto seria a função dos jornalistas, além de fiscalizar a ação da justiça e da policia. O que os jornalistas fizeram foi procurar tornar-se parte da investigação, fugindo ao seu papel.


Em que medida podemos comparar o caso Isabella Nardoni com a Escola Base de São Paulo?

São dois casos diferentes. Na Escola Base, os jornalistas cometeram um erro sério de informação, ao não confirmar as versões da policia. Já no caso Isabella, até agora não há indícios de que os jornalistas tenham cometido o mesmo erro.


* Carlos Albano Volkmer de Castilho é jornalista com 35 anos de experiência em rádio, jornais, revistas, televisão e agências de notícias, no Brasil e no exterior. Foi correspondente do Jornal do Brasil no Chile, editor chefe do Jornal da Globo e chefe do escritório da TV Globo em Londres, consultor de comunicação das Nações Unidas e União Européia, na Costa Rica. Mestrando em Mídia e Conhecimento no Programa de Engenharia e Gestão do Conhecimento, da Universidade Federal de Santa Catarina, diretor do Observatório da Imprensa, professor de Jornalismo Online e Processos Multimídia, nas Faculdades ASSESC (Florianópolis) e do curso a distância de Jornalismo Online, do Centro Knight da Escola de Jornalismo da Universidade do Texas.